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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Distorção




Tem dia que tá tudo distorcido.
Uma visão mais ampla do nada.

Tem dia de curtos caminhos
Velhas distâncias 
Perfeitas moradas 
Rotinas e constâncias assim sendo arruinadas 
Tem dia que só tem vez o que vem do outro lado de um mundo.
O mundo que se vive de lá de dentro de uma água.

A água dos sentidos
Sementes e fluidos 
Da força armazenada 
Tem dia que não adianta:
O raio é certeiro
E o ritmo é denso

Andar pela calçada é uma aventura anunciada 
Acender aquela lâmpada 
Amor em assonância
Entendendo: a vida é sabia

Precisa se fazer um tão pouco
Precisa se fazer quase nada 
Ela por si só acha a hora em que chega e que adentra.
Acha a hora em que arrasa.

Eita vida danada! 

Pôr do Sol




Pensar no inverno como um longo pôr do sol.
Essa parte do ano onde toda a potência de energia, que brilha assim como o sol, que faz nosso corpo se aquecer e funcionar, se recolhe.
Pensar nessa fase do ano como um se resguardar.
Um poupar daquilo que brilha, daquilo que nos revigora e tem valor.
Inverno do iluminar por dentro.
Assim como ursos que hibernam.
Árvores que, já secas, concentram lá dentro sua seiva que irromperá em flores e frutos logo mais.
Inverno da chama que aquece os sonhos que vão brotar já adiante.
Inverno pra gente se ter e nada mais.
Inverno pra se preparar.
Recarregar das baterias.
Ter paciência, esclarecer a consciência com essa pausa que o mundo necessita.
Amanhã, com toda certeza, nosso sol volta a brilhar.
Do recolhimento ao apogeu, a gente chega lá.

Isso é filosofia Taoista, sabedoria milenar. 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Parabéns!



Pequenos milagres existem.
Nos ombros e costas de volta à atividade, retomamos o poder de decidir sobre o curso de nossas próprias vidas.
Falamos de empoderamento, de acolhimento às nossas questões.
Modificamos nossa realidade passo a passo.
Fortalecidas pelas agulhas, quem nos transforma somos nós mesmas em cada novo olhar, em cada nova decisão.
Estamos mesmo de parabéns!
Progredimos rápido pois a conexão interna esteve acordada todo esse tempo.
Essas novas mulheres, tão parecidas com a nossa real essência, se superam a cada dia.
Tão clones de nós mesmas, assim nos tornamos quem sempre fomos e não pudemos expressar.
Sim, estivemos fracas, tensionadas, iludidas em falsas realidades.
Agora já estamos a acordar.
Pequenos milagres existem.
É disso que viemos falar.

sábado, 3 de junho de 2017

Botão



Hoje interessa o botão
mais do que a abertura da Flor
Hoje interessa o que é
mais do que a promessa da cor

Hoje interessa a nuance
O tangível

Em tudo vejo
Aquilo que for
tem valor 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Uma vez por semana


Uma vez por semana

Crise de ciúme e o gato mija onde não deve,
A caixa d'agua vaza no teto do banheiro, 
Dilúvios inexplicáveis me rondam
Uma vez por semana como fora, algo quase que por luxo, desejos que nunca senti 
Uma vez por semana ficar de calcinha na laje 
Visitas ao vivo 
Crises de Saudade 
Uma rima, um desenho me invadem, me lembro de onde é que eu vim 
Uma vez por semana eu tropeço e acho que vou cair de bruços,
Faço enfim uma manobra bem feita na yoga e sinto a vida nos quadris 
Uma vez por semana tiro o dia pra ver séries até me esquecer onde estou, até me lembrar do país 
Uma vez por semana como a linguiça da feijoada 
Ou escolho linguiça no self-service pra comer com limão espremido em cima 
Uma vez por semana um chilique com algo que ouvi,
Sessão com os amigos 
Terapia bem longe daqui

Um vez por semana 
Mercado, cartão de crédito, 
E as coisas pra poder parir 
Uma vez por semana acho que vou morrer sozinha 
Uma vez por semana um pano na sala
Água na área de serviço e a casa só minha 
Uma vez por semana me sinto engraçada 
Uma vez por semana eu finjo que fui, 
eu tenho que ir

segunda-feira, 20 de março de 2017

domingo, 12 de março de 2017

Eterno começar do zero




A sombra que irrompe
de todo conceito ideal

O discurso não ouço
se a palavra cheira mal

quando diz dos seus planos
sem mostrar o esboço

sequer consigo ver
sequer eu me comovo

No que vejo, brilha apenas
a carcaça de um estorvo

E me assusto, 
me machuco
e sofro

Por um rosto bonito demais
lá na foto
que é dos outros

alguém pra acudir
os meus ais
e o meu choro

um like na foto
um gemido
eu assisto e insisto
eu morro

por rosto bonito demais
lá na foto
que é dos outros

eu sem dias
eu sem fome
e sem paz

um perdão
e o que quer mais?

Se o bloco passou, 
protestei, protestais,
contra aquilo que anda pra trás
me rebelo
e eu berro demais
contra tudo quero
já tão tosco
tão jaz

Aqui dentro
eu espero
um olhar esculpido e sincero
um delírio, assim, bem mais terno

E a ferida, ainda que doída 
não finda 
essa vida,
eterno começar do zero




Fotografia; Ilha do Cardoso
Poesia: Fernanda Toscano
12/03/2017

sábado, 4 de março de 2017

Me recolori

Hoje apaguei a voz 
Pra poder refletir
De onde será que vem
Toda essa dor que senti
Hoje apaguei meus ouvidos
Retinas
Nariz
E desliguei todo sentido
Aguçado de ti 
Mudei a cor do meu cabelo 
Me recolori 
Pra me livrar do desespero
Me redescobri 


#colorindoarima (em Vila Anglo Brasileira)

sexta-feira, 3 de março de 2017

Manifesto da Humilhação




Todas as vezes que meu corpo cai
Algo se rompe na imensidão 
Todas as vezes que eu quero e não vai
Algo germina nesse solo, nesse chão

#raizesemruinas é minha história de vida

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Autorretrato



Autorretrato fantasia 
Quando a lua entra na frente do sol
Quando a sombra entra na frente dos dois
Quando a luz não reina 
Quando a gente aguenta o peso do som
da sombra que entra nas frestas de sol
Quando a chuva chega 
O breu assenta nas quinas de nós 
Quando o céu não venta 
Quando o raio esquenta 
pega fogo o Interno sol 
No olho, o sal
Levando os nós 
Acende os teus faróis
#colorindoarima

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Lua em peixes

E tens apenas uma chance pra poder adivinhar:

De onde é que o peso vem?
Porque não dá pra respirar ?

Se ainda não souber, procure onde a lua está 

A emitir o seu sonido
A ecoar o seu chamar 

E apenas uma chance tens 
Para poder se encontrar

Melhor olhar pra dentro e bem.
Podemos juntas mergulhar.
#luaempeixes #colorindoarima

sábado, 28 de janeiro de 2017

Galo de ouro



A vida vai melhorar
O Novo brilho há de surgir
Pois o galo vai cantar
Amiga, eu vou te dizer
Já pode se preparar 
O novo tempo está em ti
E a vida vai melhorar 


#anonovochinês #colorindoarima #achadosdaliberdade #galodeouro #anonovochinesoficial

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Em paz, rapaz




Às vezes tá tudo bem
Mas tá chovendo um tanto a mais 

Fartura também vem com a chuva
Mas tantas gotas fora do prumo
também constroem vendavais
A tempestade que deu
Talvez aqui não caia mais
Mas o tanto que meu coração doeu
Não faz cair mais chuva em vão, 
Jamais
Jamais
Jamais 

Presente que Deus me deu
Foi ver na chuva um canto meu
Em paz
Em paz, rapaz 

#colorindoarima (em Ilha Do Cardoso)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Café do Alto




O que nos falta não é preciso
O pouco, a pausa
É tudo questão de respiro 




Rio de Janeiro

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Por isso dizem que sou louca



Sou Louca
depois que compreendi que sanidade nesta sociedade decadente é sinônimo de doença, faço questão de ser louca, cada dia mais louca
Consciente de mim, ao menos, exerço minha liberdade 
A de ser eu mesma 
Defender meus espaços, me resguardar 
Ser louca é ter voz própria? 
É te impor limites? 
É ser a única dentro de um coro que não canta no seu tom?
Sou louca, já nasci com essa tendência absurda de me contrapor
Não mexe comigo que eu não ando só 
E num desses dias de loucura acertada, taco um vaso pela sacada
Daqueles vasos de plantas kamikasis que a gente planta por resguardo 
So pra gente se fazer entender quem é a louca aqui
Louca e pernambucana 
Entende a junção?
Então não mexe comigo
Medito, faco yoga, caminho, tanto hoponopono que me salva , litros e litros de chá 
Mas na hora do enfrentamento Não mexe comigo
Que eu não ando só 
Sacou?
Tá na sanidade?
Ter horror de louco? 
Melhor se afastar metros, quilômetros, planetas de distância 
Não
Mexe
Comigo 
Espertão
Eu 
Não 
Ando 
Só 
#colorindoarima (em Vila Pompeia)

sábado, 22 de outubro de 2016

Depois da chuva


Depois da chuva
Muito do que não era vida 
se revela destruído 

Depois da chuva, 
tudo que era sólido se apresenta com mais firmeza ainda 

Depois da chuva recolher o valioso por entre os escombros 

Depois da chuva o retorno
Depois da chuva o encontro

depois da chuva, eis o broto
depois da chuva

#raizesemruinas #colorindoarima (em Pinheiros)

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Derramo







Derramo.
Ultimamente com menos frequência do que nunca.
Talvez mais abertamente do que antes.
Talvez nunca tenha conseguido esconder totalmente 
Finalmente harmonizada com essa condição de sofrer e estar em paz.
Passar dias, semanas, com a ferida magoada, sentindo arder a palavra, o pensar, até mesmo o permanecer sem dizer quase nada
Dessa tal fragilidade que nego, mas que me faz assim tão presente.
Derramo, me inflamo, recolho meu riso, meu pranto
Eu vibro,
Eu canto
Confundo emoções, assim de repente
Eu vou desse jeito e olhando de frente
Vivo assim derramando, 
desde que me conheço por gente
Sorrindo, chorando e seguindo em frente.