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sábado, 3 de junho de 2017

Botão



Hoje interessa o botão
mais do que a abertura da Flor
Hoje interessa o que é
mais do que a promessa da cor
Hoje interessa a nuance
O tangível
Em tudo veio
Aquilo que for tem valor 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Uma vez por semana


Uma vez por semana

Crise de ciúme e o gato mija onde não deve,
A caixa d'agua vaza no teto do banheiro, 
Dilúvios inexplicáveis me rondam
Uma vez por semana como fora, algo quase que por luxo, desejos que nunca senti 
Uma vez por semana ficar de calcinha na laje 
Visitas ao vivo 
Crises de Saudade 
Uma rima, um desenho me invadem, me lembro de onde é que eu vim 
Uma vez por semana eu tropeço e acho que vou cair de bruços,
Faço enfim uma manobra bem feita na yoga e sinto a vida nos quadris 
Uma vez por semana tiro o dia pra ver séries até me esquecer onde estou, até me lembrar do país 
Uma vez por semana como a linguiça da feijoada 
Ou escolho linguiça no self-service pra comer com limão espremido em cima 
Uma vez por semana um chilique com algo que ouvi,
Sessão com os amigos 
Terapia bem longe daqui

Um vez por semana 
Mercado, cartão de crédito, 
E as coisas pra poder parir 
Uma vez por semana acho que vou morrer sozinha 
Uma vez por semana um pano na sala
Água na área de serviço e a casa só minha 
Uma vez por semana me sinto engraçada 
Uma vez por semana eu finjo que fui, 
eu tenho que ir

segunda-feira, 20 de março de 2017

domingo, 12 de março de 2017

Sarrada



As mãos firmes, fim de tarde
agarram o short jeans cheio de carne
fazendo uma pressão contra a pelve

As mãos no short jeans, cheias de sede
faziam contrações nada leves
somando-se umas caras excitadas, quentes

As mãos, as pelves,
línguas deslizando fortemente
e tudo pressionando, latejando numa tara
você devia ver a minha cara, baby

atrito, tensão, dentro da minha emoção
desejos expelidos pra'lém da dimensão

desfile do seu bloco, saída do armário
consumo total sem pudor

e o seu fogo que a tudo queimou
eu vou, com você, eu vou,
mas sarrou, nem me chamou.

eu-pavor-tesão
E como sentir algum chão?

Tudo junto, verão,
nem me levou pela mão

achei que fosse exceção
era tod'uma ereção

e era todo mundo amigo
não havia a menor intenção

Pra dentro ou pra fora das bocas,
seu ritmo, sua contração,

salivas, cabelos, pescoços
gemidos, uma coisa louca

suspiros que eu ainda ouço
eu fora, na constatação

no juri, 10 pra sarração

horror, que ainda te quero
volúpia, sarrada que invejo

E o falo tão longe de mim
me fez sentir fricção

o peito dentro da sua mão
a bunda, o beijo, o tesão
terror-pavor-excitação.

gozada, sarrada fatal
viveu e ainda esqueceu

só lembra quem ali gozou
com o pau que não era meu

deu pra todo mundo ali
sentiu  todo mundo ali

menos eu
menos eu
menos eu

inda digo, foi graças a Deus.


Eterno começar do zero




A sombra que irrompe
de todo conceito ideal

O discurso não ouço
se a palavra cheira mal

quando diz dos seus planos
sem mostrar o esboço

sequer consigo ver
sequer eu me comovo

No que vejo, brilha apenas
a carcaça de um estorvo

E me assusto, 
me machuco
e sofro

Por um rosto bonito demais
lá na foto
que é dos outros

alguém pra acudir
os meus ais
e o meu choro

um like na foto
um gemido
eu assisto e insisto
eu morro

por rosto bonito demais
lá na foto
que é dos outros

eu sem dias
eu sem fome
e sem paz

um perdão
e o que quer mais?

Se o bloco passou, 
protestei, protestais,
contra aquilo que anda pra trás
me rebelo
e eu berro demais
contra tudo quero
já tão tosco
tão jaz

Aqui dentro
eu espero
um olhar esculpido e sincero
um delírio, assim, bem mais terno

E a ferida, ainda que doída 
não finda 
essa vida,
eterno começar do zero




Fotografia; Ilha do Cardoso
Poesia: Fernanda Toscano
12/03/2017

sábado, 4 de março de 2017

Me recolori

Hoje apaguei a voz 
Pra poder refletir
De onde será que vem
Toda essa dor que senti
Hoje apaguei meus ouvidos
Retinas
Nariz
E desliguei todo sentido
Aguçado de ti 
Mudei a cor do meu cabelo 
Me recolori 
Pra me livrar do desespero
Me redescobri 


#colorindoarima (em Vila Anglo Brasileira)

sexta-feira, 3 de março de 2017

Manifesto da Humilhação




Todas as vezes que meu corpo cai
Algo se rompe na imensidão 
Todas as vezes que eu quero e não vai
Algo germina nesse solo, nesse chão

#raizesemruinas é minha história de vida

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Autorretrato



Autorretrato fantasia 
Quando a lua entra na frente do sol
Quando a sombra entra na frente dos dois
Quando a luz não reina 
Quando a gente aguenta o peso do som
da sombra que entra nas frestas de sol
Quando a chuva chega 
O breu assenta nas quinas de nós 
Quando o céu não venta 
Quando o raio esquenta 
pega fogo o Interno sol 
No olho, o sal
Levando os nós 
Acende os teus faróis
#colorindoarima

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Parabéns!



Pequenos milagres existem.
Nos ombros e costas de volta à atividade, retomamos o poder de decidir sobre o curso de nossas próprias vidas.
Falamos de empoderamento, de acolhimento às nossas questões.
Modificamos nossa realidade passo a passo.
Fortalecidas pelas agulhas, quem nos transforma somos nós mesmas em cada novo olhar, em cada nova decisão.
Estamos mesmo de parabéns!
Progredimos rápido pois a conexão interna esteve acordada todo esse tempo.
Essas novas mulheres, tão parecidas com a nossa real essência, se superam a cada dia.
Tão clones de nós mesmas, assim nos tornamos quem sempre fomos e não pudemos expressar.
Sim, estivemos fracas, tensionadas, iludidas em falsas realidades.
Agora já estamos a acordar.
Pequenos milagres existem.
É disso que viemos falar.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Lua em peixes

E tens apenas uma chance pra poder adivinhar:

De onde é que o peso vem?
Porque não dá pra respirar ?

Se ainda não souber, procure onde a lua está 

A emitir o seu sonido
A ecoar o seu chamar 

E apenas uma chance tens 
Para poder se encontrar

Melhor olhar pra dentro e bem.
Podemos juntas mergulhar.
#luaempeixes #colorindoarima

sábado, 28 de janeiro de 2017

Galo de ouro



A vida vai melhorar
O Novo brilho há de surgir
Pois o galo vai cantar
Amiga, eu vou te dizer
Já pode se preparar 
O novo tempo está em ti
E a vida vai melhorar 


#anonovochinês #colorindoarima #achadosdaliberdade #galodeouro #anonovochinesoficial

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Em paz, rapaz




Às vezes tá tudo bem
Mas tá chovendo um tanto a mais 

Fartura também vem com a chuva
Mas tantas gotas fora do prumo
também constroem vendavais
A tempestade que deu
Talvez aqui não caia mais
Mas o tanto que meu coração doeu
Não faz cair mais chuva em vão, 
Jamais
Jamais
Jamais 

Presente que Deus me deu
Foi ver na chuva um canto meu
Em paz
Em paz, rapaz 

#colorindoarima (em Ilha Do Cardoso)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Café do Alto




O que nos falta não é preciso
O pouco, a pausa
É tudo questão de respiro 




Rio de Janeiro

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Por isso dizem que sou louca



Sou Louca
depois que compreendi que sanidade nesta sociedade decadente é sinônimo de doença, faço questão de ser louca, cada dia mais louca
Consciente de mim, ao menos, exerço minha liberdade 
A de ser eu mesma 
Defender meus espaços, me resguardar 
Ser louca é ter voz própria? 
É te impor limites? 
É ser a única dentro de um coro que não canta no seu tom?
Sou louca, já nasci com essa tendência absurda de me contrapor
Não mexe comigo que eu não ando só 
E num desses dias de loucura acertada, taco um vaso pela sacada
Daqueles vasos de plantas kamikasis que a gente planta por resguardo 
So pra gente se fazer entender quem é a louca aqui
Louca e pernambucana 
Entende a junção?
Então não mexe comigo
Medito, faco yoga, caminho, tanto hoponopono que me salva , litros e litros de chá 
Mas na hora do enfrentamento Não mexe comigo
Que eu não ando só 
Sacou?
Tá na sanidade?
Ter horror de louco? 
Melhor se afastar metros, quilômetros, planetas de distância 
Não
Mexe
Comigo 
Espertão
Eu 
Não 
Ando 
Só 
#colorindoarima (em Vila Pompeia)

sábado, 22 de outubro de 2016

Depois da chuva


Depois da chuva
Muito do que não era vida 
se revela destruído 

Depois da chuva, 
tudo que era sólido se apresenta com mais firmeza ainda 

Depois da chuva recolher o valioso por entre os escombros 

Depois da chuva o retorno
Depois da chuva o encontro

depois da chuva, eis o broto
depois da chuva

#raizesemruinas #colorindoarima (em Pinheiros)

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Derramo







Derramo.
Ultimamente com menos frequência do que nunca.
Talvez mais abertamente do que antes.
Talvez nunca tenha conseguido esconder totalmente 
Finalmente harmonizada com essa condição de sofrer e estar em paz.
Passar dias, semanas, com a ferida magoada, sentindo arder a palavra, o pensar, até mesmo o permanecer sem dizer quase nada
Dessa tal fragilidade que nego, mas que me faz assim tão presente.
Derramo, me inflamo, recolho meu riso, meu pranto
Eu vibro,
Eu canto
Confundo emoções, assim de repente
Eu vou desse jeito e olhando de frente
Vivo assim derramando, 
desde que me conheço por gente
Sorrindo, chorando e seguindo em frente.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Memória



Por um segundo eu quase esqueço que somos feitos de história.
Memória, a soma dos dias que vivemos nossas glórias.
Por um segundo eu quase esqueço, mas retomo a trajetória.
#raizesemruinas #colorindoarima foto de @gaijin_lab #bestshoppingsaobernardo

sábado, 28 de maio de 2016

Antigos sinais

Sempre soubemos 
Sempre sofremos demais
Sentimos as curvas
Os pingos de chuva
Vermelhos sinais
no cais
Sentidos imorais
Sempre soubemos
Sempre sentimos demais
Autoretrato
Maio 2012
O peito como seta
coração como 
búl
so
las 
de amor
Essa dor é nossa dor
Mas ela ficou pra trás 

terça-feira, 26 de abril de 2016

Ruínas, sintomas dos sãos.



Eu vi a fraqueza de um homem
Vi o seu corpo caído no chão

Ele não lamentava nem nada
estava bem naquela posição

Eu vi a fraqueza de um homem
Num andar solitário-patrão

Ele não se queixava das falhas
Se gabava da ausência de irmãos

Eu vi a fraqueza de um homem
No seu choro contido-porão

Ele nem mais sentia as calçadas
Celebrava sua dor de cão

Eu vi a fraqueza de um homem
Numa pedra chutada por nada

Não se vociferava ou gritava
os venenos de um escorpião

Eu vi a fraqueza de um homem
Quando olhei lá dentro de sua alma

Vi escombros de história, de estradas.
Ruínas, sintomas dos sãos.

Eu vi a fraqueza de um homem
não havia quem me entendesse

Não se via um vestígio, um lembrete
que os fizesse ajudar um cristão

Eu vi a fraqueza de um homem,
esperei o seu tempo passar.

Relutei entre olhares e escolhas
Deixei livre o seu corpo falar

Eu vi a fraqueza de um homem
nunca mais me esqueci dessa dor

Nunca mais me esqueci da tristeza,
Tão sutil sua delicadeza,
e uma infinita ausência de amor

Eu vi a fraqueza de um homem
E quis tanto mudar sua história
E quis tanto fazer diferença
Mas foi ele quem me transformou

No que eu vi a fraqueza de um homem
Me enchi de empatia e calor
me enchi que até me transbordei
transbordei que até transformou

Eu vi a fraqueza de um homem
Eu vi esperança e valor.

Poesia Fernanda Toscano
Fotografia Daniel Tomita
Performance Caio Zanuto



sábado, 5 de dezembro de 2015

Certas poda

Certas podas, eu vou te contar:
O quanto que levam de nós?
Ou o quanto depuram na dor aquilo que já não serve mais?
Certas podas apesar de uma perda, revigoram o novo e abrem caminho à seiva tão bruta que quer irromper.
Certas podas parecem que matam mas quando bem feitas nos salvam a planta, revivem por dentro o que se perdeu.
Certas podas um bem à raiz que ressurge mais firme em seus novos galhos, folhas, flores, frutos, sementes e nas profundezas, tornam mais forte a matriz.
Certas podas levam o que não vive bem, troncos em equivocados caminhos, sombras desaproveitadas no asfalto e galhos que sugam a rica energia sem retribuir à vida lá dentro nem mesmo um porcento do bem que se faz ao redor.
Certas podas, dolorosos cortes, açoites marcantes mas fundamentais no reequilíbrio do todo.
Certas podas, se eu te contar, você vai se querer num podar, num realinhar, num reinventar.
À certas podas, eu digo o meu muito obrigada,  por nos permitir na reexistência o ato de amar essa louca dinâmica de morrer pra viver bem melhor nessa vida.
À certas podas eu devo o que fui, o que sou e tudo o que almejo ainda ser algum dia.

Fotografia e poesia: Fernanda Toscano

#colorindoarima

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Renasci


Tentaram me matar
tentaram me conter
eu vivi

Empurraram-me de um penhasco
de cima de um trem em movimento, eu cai

Fecharam-me a porta,
todo mundo lá dentro
 e eu  lá fora.

se esqueceram de mim
sozinha
ali


 aguentei, 
ainda aguento
eu vou firme longe dali

Choveu
ventou
nevou
no sol 
que ardia
eu me fortaleci
e ainda ardo 
eu-mesma
 aqui

amando a duras penas
eu e deus, em alma apenas
sublimei
até cresci


Ai, como corríamos
ate que de repente
eu
tropecei num pe
que deixaram
pra mim
em cena
e de novo
eu me refiz


E ainda em queda livre, 
decidi me segurar
a algo nem tão firme assim
e mesmo ali, sobrevivi.

Decepada
Multilada
com a cara toda quebrada
eu entendi

e remontada
remoldada
consegui me reflorir

Podaram-me na raiz
Prenderam-me exportada
exilada em solitária
Socialmente repugnada,
 resisti

A louca 
a fora da medida
a deixada à beira da calçada
com minha dor 
tao revirada
eu me vesti

Levantei-me
relutei-me
pendurei-me
escalei-me
 renasci

Em fase de Lua Nova, eu me lembro dessa sombra ainda acordada,
 bem perto, ainda presente
dentro de mim.

Fotografia: Daniel Tomita / Raízes em Ruínas
Texto: Fernanda Toscano


domingo, 27 de setembro de 2015

Sombra



Eu sinto a sombra

cheia como a lua
me vejo 
repleta de dúvidas
eu sinto
o cheiro da noite
no seio
o sangue que corre
mais denso
um lamento 
a morte
um tormento
me foge
de fora pra dentro
um acento 
um sotaque 
mais lento
vou percebendo
me reentendendo
assistindo
me lendo
eu vou merecendo
meu sonho 
tecendo
da sombra
a luz
renascendo


Foto e Texto: Fernanda Toscano
Lua de Sangue, Eclipse 2015